Em Defesa de Cristiano Ronaldo

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Com o jogo da Selecção na Polónia tornou-se evidente que urge ter uma posição no que à defesa de algumas situações da vida de Cristiano Ronaldo diz respeito. É preciso compreender que dentro dos relvados é um dos grandes da história do futebol mundial. Isso nunca deve ser esquecido. Mas neste momento recomendamos-lhe para a Selecção a mesma postura que deve ter em relação a férias nos EUA: manter-se longe.

A sua presença ao longo dos anos na Selecção levaram a que se criasse uma dependência extrema que condicionava a forma de jogar da equipa. No entanto não será demais dizer que a sua lesão naquela gostosa final terá sido o primeiro passo para a ganharmos.

Digamos que até agora vivíamos um período de qualidades colectivas ao serviço do individual. Só que o corpo humano é como a lei e há limites e vontades que não se devem forçar, para não sofrermos consequência negativas. Válido para o gordo que vai à baliza às Quartas no torneio da empresa e também para um super-atleta. E um colectivo tem de se preparar para a vida para lá de um indivíduo que sozinho desequilibra as coisas a seu favor da mesma forma que um ariete força uma porta entreaberta e apertada. E é preciso que se criem situações para que o individual passe a funcionar em prol do colectivo.

Não vou aqui dissertar sobre o que Ronaldo, ou alguém em seu nome, possa ter forçado os vários seleccionadores que o orientaram a escolher, quer ao nível de jogadores, quer de tácticas, mas o que se tem retirado deste exílio de Ronaldo da Selecção é precisamente que o individual trabalha agora mais em prol do colectivo. E Portugal, apesar de uns quantos picaretas, tem jogadores de imensa qualidade que o Seleccionador tem de colocar a funcionar como um colectivo.

Esperemos que o processo continue e que o tridente de Silvas continue a fazer estragos. Ou que William e Rúben Neves continuem a dominar o meio. E que no regresso de Ronaldo (quando ele ou outra forças quiserem) seja Ronaldo a dar à Selecção o seu valor individual e não a exigir que ela lhe dê o seu colectivo.

Até o processo estar suficientemente desenvolvido, defenderemos sempre a não convocatória de Ronaldo. Depois logo se vê!