domingo, 1 de dezembro de 2019

 

De Vinnie Goals a Gabriel, o Otário

Muitos Benfiquistas terão descoberto esta semana, por entre o golo ao Leipzig e o hat-trick ao Marítimo, que Carlos Vinícius é de facto reforço e os 17 milhões que se retiram da habitual chapa do carrossel correspondem a um efectivo reforço do plantel. O tipo de dinheiro que, no fundo, quem pede que haja investimento no plantel defende. Claro que ajuda estar a ser comparado com Seferovic, um tipo que tem mais buracos nos pés que um queijo Suíço, mas a verdade é que o Brasileiro apresenta o mesmo tipo de movimentos e definição com bola desde a primeira jornada, em que marcou com poucos minutos em campo.

A titularidade de Vinícius, se virar moda face à indisponibilidade do Emmental, afigura-se como uma má notícia para os adversários domésticos. Especialmente se a isso juntarmos o entendimento que Pizzi e Chiquinho começam a apresentar. É que foi sob o signo desta tripla que se construiu uma vantagem e um atropelo aos insulares que fazem com que o mais distraído se tenha esquecido que, quando Vinicius assiste Pizzi para o primeiro golo fazia sentido dizer que o golo surgiu contra a corrente do jogo. Sim foi aos 8 minutos, sim foi na Luz, mas até então quem tinha mandado no jogo era o Marítimo, que tinha inclusivé conseguido em duas ocasiões entrar na área do Benfica com perigo e facilidade. Menos de 10 minutos depois os papéis invertem-se. Nova jogada no lado direito do ataque do Benfica e Pizzi assiste Vinnie Goals. E o jogo verdadeiramente acabou aqui. O Marítimo morreu animicamente e o Benfica cresceu, aposto tudo no lado direito e com toda a naturalidade chega ao terceiro golo, num centro rasteiro de Pizzi que o Guarda-Redes Maritimista não consegue segurar nem desviar e depois alguma infelicidade de um defesa que não consegue impedir o remate de Vinicius de se alojar na malha lateral. Festa nas bancadas e um manto de amnésia colectiva sobre o que se passara a meio da semana em Leipzig.

Ao intervalo, com o jogo arrumado, Lage decide dar descanso a Almeida, que não teve nada que fazer a nível defensivo, e mantém Gabriel em campo. Esta permanência vai ser importante. Não pelo resultado, que ainda seria aumentado com naturalidade, mas pelo que são os sinais preocupantes de incapacidade de Lage em gerir a equipa e o banco. Gabriel, a meio da primeira parte, havia levado um cartão amarelo por uma entrada desnecessária e fora de tempo. Não estava a conseguir ligar jogo. Não estava a conseguir recuperar bolas. A presença de Gabriel em campo servia fundamentalmente para o trabalho de Taraabt parecer bom. E se Gabriel acabaria por ser expulso por uma outra falta extemporânea, excessiva e desnecessária, ninguém pode em abono da verdade dizer que ficou surpreendido com isso.

Continuando a jogar com menos 1, o Benfica continuou a controlar o jogo e a falhar algumas ocasiões. A sensação que a partida estava arrumada estava firmemente presa na mente dos 22 jogadores em campo e no Benfica todos queriam picar o ponto. Pena não se ter chegado a uma daquelas de dois dígitos, mas ficamos com os 4 que dão a ilusão que somos grandes. Como se viu a meio da semana, na piscina dos grandes não passamos de um Vizela...

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+ Pizzi. Capitaneou o meio campo, assistiu por duas vezes Vinicius, abriu o marcador a passe do Brasileiro, ajudou a fechar o flanco direito e ainda deu uma mãozinha no meio campo. Havia sido fundamental em Leipzig, sendo o de facto lateral direito nesse jogo, e manteve a sua preponderância em evidência nesta partida. É o verdadeiro barómetro do futebol Benfiquista.

+ Vinícius. O Vinnie Goal da equipa, está para as balizas adversárias como Vinnie Jones estava para as pernas dos adversários. Ponta de lança a fazer lembrar algumas lendas, com presença de área. Não é só encostador, tendo uma noção de colectivo que lhe permite fixar adversários e combinar com colegas.

+ Chicaraabt ou Taraaquinho. Ia meter aqui só Chiquinho. Esteve nas jogadas que deram golo mas revela que quer ele próprio um e está com demasiada ânsia para isso. Foi dele o primeiro sinal de perigo e foi um grande remate dele que dá origem ao quarto da equipa. Só que com a expulsão de Gabriel Taraabt merece uma menção. Já em Leipzig, onde somou uma assistência e meia, havia sido o elemento de ligação entre defesa e ataque, e aqui, num jogo onde teve mais espaço e tempo para jogar, assumiu que a Liga Portuguesa é um aquário à sua medida. Recuperou bolas e armou jogo de uma forma tal que ninguém deu pela falta de Gabriel. Em abono da verdade, também não se estava a dar pela presença...


– Gabriel. Desde que renovou contrato e começou a ostentar aquele cabelo à foda-se que tem sido um manifesto futebolístico. Um manifesto intitulado "deixem o Tino jogar". Ou "deixem o Dantas jogar". Ou, "até aqui o Robocop gordo fazia mais que tu". Já em Leipzig não ajudou, e ontem só se deu por ele em dois momentos, a saber, quando levou o primeiro amarelo e quando levou o segundo. Não sei se será do penteado ou do contrato, mas é cortar aquele penacho à chapada e ver se melhora. Se não melhorar era mesmo do contrato, e isso é preocupante.

– Bruno Lage. Parece ter imensas dificuldades em perceber o que se passa. O tempo de leva a reagir ao jogo é assustador. Perde a vitória histórica em Leipzig por não perceber o que todos viam, que o Benfica havia perdido equilibrio no meio campo quando Taraabt se esgotou. Ontem, com o jogo feito ao intervalo esteve animicamente bem em dar minutos a Tomás Tavares. Mas acaba por tirar um jogador que estava bem (Almeida, sem nenhum desafio defensivo) e deixar um que estava mal em campo. A lógica do não deixar cair ninguém é importante conquanto não se sacrifiquem os objectivos colectivos. Lage parece ter uma interpretação demorada do que se passa. Jota poderia, e depois do jogo de Vizela merecia, ter somado mais minutos. Tino acabar a semana sem minutos em campo é incompreensível face ao que se passa em campo.

– Cervi. Precisava de um nome para fazer um terceiro aspecto negativo. É negativo que esteja no plantel. É negativo que um jogador que acrescenta nada permaneça em campo o tempo que ele permaneceu, num jogo que estava acabado ao intervalo. A culpa não é dele é certo, mas como tal como Lage preciso dele para fazer número.
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