segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

 

Homens Demolidores

Foi uma grande vitória a que o Benfica conseguiu no Bessa mas impõem-se que se comecem os elogios por outro lado.

Comecemos pois por justamente homenagear o Boavista e o seu treinador Lito Vidigal. Como se sabe a mística aqui do Estaleiro fazemos questão de elogiar as picaretas futebolísticas do nosso futebol. Depois do que se viu ontem, o nosso silêncio para com o que o Boavista faz seria só injusto.

Poucas equipas terão em tempos recentes conseguido conjugar tal mistura de desprezo pelo jogo e pela integridade física do adversário como este Boavista e nesse sentido uma palavra amiga para a dualidade de critérios que Jorge "Super Dragão" Sousa demonstrou ao longo de toda a partida. Quando vemos o que o Boavista faz em campo e vemos que estão em 5º na tabela classificativa pensamos que merda de Liga é a nossa e quão protegido é este bando de hooligans? É de todo inaceitável que este Boavista a jogar desta forma acabe partidas com 11 em campo. Até 10 é inacreditável, mas a julgar pelo que Jorge Sousa mostrou ontem, a realidade deve ser mesmo essa e o ex-super dragão deve estar longe de ser o único conivente com esta espécie de MMA na relva.

Quanto ao jogo foi uma vitória justíssima da única equipa que procurou jogar futebol. E se noutras ocasiões o termo futebol teria de ser interpretado num sentido mais abrangente, como por exemplo futebol americano, neste caso é mesmo do desporto rei que falamos.

O Benfica começou bem a querer jogar e a ver todas as suas saídas a serem assassinadas à partida por entradas com graus de periculosidade variante, mas que ora passavam em claro ora nem admoestação mereciam. E o espanto maior nesta fase é como a equipa se recusava a alinhar no cruzabol tão presente em vários momentos negros. Aliás, a jogada rápida em que Vinnie Golos abre o marcador mostra uma saída rápida, um passe longo (e não um chutão para a frente) e uma recepção e finalização de exxxcelência. Sim, meti três xizes só para mostrar o quão pornográfica foi a jogada! O único espanto para todos os que seguiam a partida é como o árbitro não anulou o golo para assinalar uma falta sobre Cervi.

Com o golo de vantagem o Benfica remeteu então ao modo "dar uma hipótese". A verdade é que aquele modo de chutão na frente fez uma aparição e os neandertais do Bessa chamaram-lhe um figo. Com o jogo a ser remetidos aos duelos físicos por bolas pelo ar, veio ao de cima a vontade bovina dos do Bessa marrarem em tudo o que fosse vermelho. E sujeito a transições rápidas por perdas de bola evitáveis, as fragilidades do processo defensivo do Benfica vieram ao de cima e são ilustradas na jogada do golo do empate.

A verdade é que aquela seria a quarta, para não dizer sexta ou séptima, vez que o Boavista tentava aquela jogada. Chamar a equipa do Benfica para a sua esquerda, bola longa num extremo bem aberto, Tomás Tavares sem uma gotinha de noção, extremo para dentro, Pizzi batido pelo seu movimento, Ruben Dias a por dois avançados em jogo e Ferro a controlar aquela gaja boa na bancada, Vlachodimos a não medir bem os tempos de saída e golo fácil do Boavista.

Na segunda parte e a perder, porque um empate naquelas condições era uma derrota, o Benfica voltou ao modo jogar à bola. Só que mais uma vez, depois da vantagem, o Benfica entra em modo oferecer jogo ao adversário. Durou pouco no entanto. Após um susto ou outro, lá voltou a normalidade e os pitbulls adversários já não tinham a frescura do início da partida.

Terá sido a melhor partida em tempos recentes, mas isso diz mais da merda que temos andado a jogar do que propriamente termos feito um jogão. Com a equipa fora da Champions e tremida na Taça da Liga, a verdade é que Lage começa a entrar no modo que realmente gosta, o de ter poucas coisas por que lutar e nos cingirmos apenas aos mínimos olímpicos. Alimenta, mas não satisfaz.

+

+ Vinnie Golos. Golos. Movimentações. Bem ligado com os colegas. É isto que se diz por aqui de Vinicius desde os 5 minutos que fez na primeira jornada. Se Lage lesse mais o Estaleiro, sofríamos todos menos.

+ Taraabt. Fundamental a dar equilíbrio na hora de defender, primeiro construtor de jogo, como gostamos de boa construção por gajos gordos e amigos da pinga, temos de o meter aqui. Mas muito contrariados! ;)

+ Chiquinho. Tanta porrada levou. Tanta, tanta, tanta porrada levou, porque só assim aqueles calhaus com pernas do Bessa é que conseguiam travar a magia que traz. Elo perfeito entre Pizzi e Vinnie Golos, quem quer futebol no jogo do Benfica gostará dele. Ganha o lugar aqui a Pizzi pela porrada que levou.


Tomás Tavares. Foi mau que dói. Lá para o fim lá teve uma ou duas incursões pelo meio campo das batatas de xadrez que fazem alguns esquecer que nunca soube controlar o seu lado na hora de defender, e passou a maior parte do jogo a não dar soluções no ataque. Nota-se que passou da piscina dos pequenos para o lago dos tubarões. É para evitar merdas destas que há uma equipa B. Está na merda colectiva que dá origem ao golo da vantagem Trauliteira.

Jorge Sousa. Que real monte de esterco com um apito na boca. Dualidade de critérios aberrante, a perdoar uma expulsão por vermelho directo e, a fazer fé no critério para amarelar jogadores do Benfica, mais umas quantas por acumulação. O seu critério para arbitrar faltas do Boavista foi assim: se é só falta não marca, se é para amarelo assinala, se for para vermelho dá amarelo.

Lito Vidigal. Equipas que não jogam como este Boavista não joga, deviam ser corridas para o campeonato do Inatel. Não me fodam. Elogiar Lito Vidigal é não ter noção.
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