quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

 

Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.

A 6 de Novembro de 1991, depois de um empate a 1 golo na Luz no dia 23 de Outubro, o Benfica foi a Londres para defrontar o Arsenal na segunda ronda da Taça dos Campeões Europeus. É daquelas noites que perdura na memória dos adeptos. O Benfica, em desvantagem, começa a perder, empata a partida e consegue levar a contenda para prolongamento, onde com dois golos fecha o resultado em 3-1 e deixa o campeão inglês pelo caminho.

Muita coisa mudou desde então. Isaías ganhou o direito a causar desconforto aos adeptos Arsenalistas até hoje, a Taça dos Campeões tornou-se Liga primeiro, e depois até se abriu aos não campeões. O Benfica, esse, deixou-se também de noites como aquela.

Há dois motivos para ir buscar aquela eliminatória. A primeira é porque soube esta semana que Vítor Paneira é uma espécie de jogador medíocre ou mediano, que andou escondido e só apareceu o ano passado por causa das eleições. O segundo é porque Rui Costa faz parte da lista que ganhou essas mesmas eleições. E ambos foram titulares na noite de 6 Novembro (apesar de só Paneira o ter sido a 23 de Outubro). Nem me vou alongar muito nos eventos que em 1994 e 1995 ditariam a saída de Rui Costa e Vítor Paneira do Benfica. Se eu tivesse uma relação vieiro-guerrista com a verdade, diria que um foi à sua vida ganhar milhões e o outro teve de ser empurrado para fora do clube. Quem viveu aqueles anos sabe que num dos casos estaria a vergar a verdade até ao ponto de se tornar mentira.

Mas retornando ao comentário, o que é indesmentível é que Rui Costa é hoje vice-presidente, príncipe herdeiro e/ou director do Benfica. E no entanto, apesar de ter sido titular em Londres, permite que um jogador do plantel venha a público e diga que não sabe o que se passou há 30 anos, que não procurou nem viu nada sobre o assunto!

Eu até dou de barato que o jogador, que na altura desses jogos ainda andava a saltar de colhão para colhão, não tivesse visto. Que não soubesse nem tenha procurado nada, já é mais revelador do jogador. Um jogador sob fogo cruzado dos adeptos, conhecido pela sua eficiência a anular ataques próprios, tem de se salvaguardar. E hoje em dia, ao contrário de há 30 anos, é fácil de encontrar por si. Em menos de meia hora é possível encontrar quem alinhou e ver resumos dos dois jogos. Ora, sabendo que corre o risco de ter microfones à frente, não tinha custado procurar antigos jogos entre os clubes para poder dar umas banalidades do género "vamos tentar fazer como em troca o passo e ganhar". Podemos também perguntar porque não se escudou nas tradicionais banalidades do "vamos dar o nosso melhor como tantos outros deram ao longo da história do clube". Não, a opção foi mesmo um rotundo não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. O jogador, em si, revelou ser burro. E para mim, burro fora do relvado e ineficiente dentro dele, é jogador que não tem lugar no clube. Rafa ou mete duas ou três batatas por jogo, ou morreu como jogador do clube, para mim.

Mas há algo mais grave que a burrice de um jogador... Vejamos então: o, na altura, campeão Português foi enxovalhar o, na altura, campeão Inglês a casa dele. Uma exibição de gala, daquelas que quem as viveu ainda fala passados 30 anos, e o Benfica não tem ninguém, nem os que estavam dentro de campo, para passar a importância de tal evento aos jogadores? É isto não é? O clube, deixou que a equipa embarcasse, sabendo da presença da imprensa, sem que fizessem a merda de um briefing de meia hora a explicar o que dizer. A explicar a importância emocional para os adeptos. O clube, revelou detalhes de pior que amadores. O clube começa a perder os jogos e as eliminatórias nestas coisas.

Há uma banalidade que é dizer que se encaram os jogos todos da mesma forma. Não quer dizer rigorosamente nada, porque tanto diz que uma equipa se está a cagar e se limita a aparecer, como quer dizer que uma equipa entra em campo e esfarrapa-se toda para ganhar. Face ao que se soube da estrutura por Rafa, onde nem os que viveram uma jornada de glória sabem passar essa dimensão para a equipa, sabemos que o Benfica é dos que se limitam a aparecer em campo. Já desconfiávamos. Agora as derrotas doem mais, mas custam menos.
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